Existe uma quantidade grande de textos e poesias que disporei assim que contratar uma pessoa para separá-los e postá-los. São aproximadamente 600 páginas de textos que serão postadas aqui em breve.

Friday, November 21, 2008

Capítulo 1: crise no governo




Crise no Governo
(publicado na 3ª Antologia da AJEL, ano 2008)
Por Gabriel Steinbach
01 de agosto de 2008, parte 1 de 4


—Havia um clima de expectativa quando perguntei ao Sr. Smith o que ocorrera na entrada do prédio. Não era com toda a certeza um problema que envolvesse a mim, mas sim aos meus circunstantes, o que me consternava dignamente. Horas antes me alertaram para o fato de que a Srta. Mônica viria ao encontro dos fatos, querendo tirar do virtual as provas da realidade.

Não havia emboscada, a meu ver. Quando o governo quer aprovar essas coisas, o alarme toca e tudo vai a toque de caixa, atropelando sensíveis, moralistas e idealistas.

Perguntei ao senador Amido sobre o panorama que se desenhava em seu partido.

E ele:

—Todos estão com o governo nessa medida provisória.

Mas, ainda pensando sobre a crise que ocorreu na semana passada e que se havia amainado rachando parte da base do governo, perguntei se a medida não era por demais delicada à sociedade para haver tamanha coesão. Para mim, soava mais como uma manobra para apagar o evento pelo qual Mônica iria passar, agora no momento em que ela entrava no Salão Amarelo do Senado.

—Não, senador Fonte. Há realmente, ainda que o senhor não acredite nisto, uma verdadeira arregimentação em torno da matéria. Amanhã mesmo, parto para uma comissão em Buenos Aires, na qual iremos discutir os pontos nevrálgicos.

—Ainda há isso?

—Sim. Por que não? Claro está para alguns que isso se trata de uma mera conveniência política, pois não queremos provocar rupturas econômicas por julgamentos morais ou estéticos.

—Não o entendi? Como a estética pode interferir numa trama dessas? A Mônica não está envolvida nela; está? Todos, à boca pequena, comentam o envolvimento dela com a indústria...

—Agora quem não o está entendendo sou eu. Nós estamos falando de quase 1 bilhão de pessoas e o senhor me refere a história da Mônica... Isso já é um capítulo à parte desse livro. Aliás, sequer ela entra no livro. Vai mesmo ficar na gaveta (risos).

—Não acredito que o senhor possa desdenhar de tamanha artimanha desenhada para minar as forças honestas de nosso país.

—O que sei é que neste momento tudo tende a ser amenidade, neste furacão jurídico e econômico que estamos construindo. A população está mais preocupada com a ojeriza contra os vizinhos do que com uma vadia armamentista.

—É. Desse ponto de vista... É. Não havia visto por um prisma mais longo. O povo parece ter abandonado a cordialidade de nossos ancestrais em troca de uma compreensão ignóbil dos vizinhos. Aliás, deveriam ter maus sentimentos contra os americanos, mas, ao invés disso, os adoram.

—Fonte (risos), você não deve ser tão rígido! Provavelmente, amanhã mesmo, a sociedade tenha outro sentimento para externar. Cada evento desencadeia uma nova linha de processos e eventos, que desencadeia mais outra e outra... Temos de nos pôr na cadeia de eventos mais adequada para o bem de nossas famílias. No máximo, podemos controlar a linha macro de eventos, através da qual eliminamos imprevistos e controlamos 70% dos resultados.

—Amido, você é muito técnico. Não consigo entendê-lo com essas metáforas geométricas.

—Fonte, amigo, isso é só outra maneira de dizer que...

Nesta hora lembrei-me do noticiário de ontem à noite que relatava o caso da Mônica com o senador. O presidente da indústria de armas negou qualquer conhecimento que pudesse levar a polícia a reconhecer sua influência no caso das “Licitações de Papai Noel”.

—Bem, é um inconveniente, pelo menos?!

—Creio que não. Aliás, estaria o senhor interessado em participar dos trabalhos da comissão de alinhamento? O trabalho já está praticamente pronto, e o holofote que este cargo oferece é perto dos melhores.

—Vou pensar e em 30 min. eu lhe retorno. Voltando um pouco ao assunto, a Comissão de Alinhamento resolveu por manter o mesmo número de cargos na Argentina?

—Sim. Vai haver até um acréscimo tendo em vista amainar as animosidades na fusão dos dois Estados. Os “divisionistas-do-atraso” têm nos chamado de ''os elefantes verdes'', dizendo que as funções mais importantes dentro da máquina administrativa ficarão na mão de brasileiros.

—"Divisionistas-do-atraso"?

—É. Foi a alcunha que ouvi mais cedo (risos). Talvez saia na imprensa conservadora por esses dias. São um grupo de jovens da província, estudantes de Teoria da Greve e de Estratégias do Distúrbio... (risos)

—Amido e sua língua navalha...

—Fonte, nesses últimos 30 anos, o que nós vimos faz-nos perder completamente a esperança num futuro certo e pacífico. Já dizia o presidente McGregor dos Estados Unidos naquele período de transição entre o Cristianismo e o Islã, logo depois da "Raid-Moon": "o homem é o senhor da justiça quando fala por Khomenei."

—Não. Quem disse isso foi o George, Secretário de Estado.

—Bem, não importa, ou importa, mas está corrigido.

—Você vai encontrar-se com a Mônica?

—Não. Vou evitá-la até que esse assunto desapareça.

—Mas você disse...

—...desapareça da cabeça dela (risos).

—Certamente (risos). Vou encontrar-me com Zenóbio para discutir as emendas à Constituição que ele propõe.

—Certo. Até mais.

Ao caminhar pelo corredor que liga meu escritório à parte central da galeria de exposição do Salão Amarelo, pensei no que seria factível para argumentar em prol das emendas. É bem verdade que o processo de anexação, ou alinhamento (como o governo determinou), da ex-república Argentina consumia muito de nosso tempo. Iria mesmo preparar, já de imediato, o meu material e acelerar os trabalhos preparatórios.

Mônica, a essa altura da hora, já deveria encontrar-se junto da imprensa para tentar dar explicações sobre um assunto, como disse Amido, esquecido e engavetado. Comecei a conjecturar se isso não era uma postura de primeira dama do exibicionismo. Afinal, nessas horas, como sabemos, o certo é ficar quieto e cuidar do jardim de casa.

Mônica era uma mulher difícil às vezes, e tinha certa falta de compromisso para com sua família. Isso a deixou distante e odienta. Nenhum parente seu lhe suportava e isso a empurrou para a vida profissional. Na verdade ela tinha saído do eixo profissional para atuar nas sombras dos negócios e do poder político, fazendo jogos escusos. Isso começara no fim de nosso caso, o que me dava, crescentemente, medo de que ela me envolvesse em alguma história ou tentasse chatagear-me para conseguir algum dinheiro.

Embora senador, meus recursos são parcos. Não tenho certas habilidades para contar dinheiro e muitas vezes entro no cheque especial. É algo de que sinto vergonha, pois na minha época existia um charme em dizer que se era ruim em matemática... Os tempos mudaram um bocado e eu não acompanhei a mudança.

Amido, frequentemente, falava coisas que me intrigavam sobre mim mesmo. Eu conseguia reunir a borra ideológica comunista, um fragmento na verdade da minha convivência com meu bisavô, estudioso de história antiga, com os novos tempos de Fiatismo.

Chego ao Salão Amarelo. Cruzo-o e entro no Corredor Vermelho. Vejo no relógio a hora de partir. Pego o terminal 02 para ir à minha casa no Acre. O dia de amanhã fazia promessa de ser cansativo para além do que este corpo mole e flácido poderia suportar. É melhor descansar...

Capítulo 2: confronto de vidas

CAPÍTULO 2
Confronto de vidas, parte 2 de 4



Nesse começo de dia, depois de uma noite bem dormida, o clima é de sol aqui no Acre. Tenho de pegar o transporte até às 10h para pegar a primeira sessão da Comissão Executiva do Orçamento de Ajuda aos Refugiados da Argentina. Creio que ela vá atrasar-se e começará em torno de 10.45, ou seja, chego, pelo menos, no fim dos trabalhos preparatórios. Segundo meu computador de bordo, o clima em Brasília é nublado com chuva às 15h e tempo aberto às 23h. Acredito que eu só vá retornar para além das 23h; então vou sem proteção mesmo.

Começo a pensar na Mônica e a duvidar realmente se não existe um envolvimento meio escuso dela com a indústria de armas. É certo que o balanço das empresas não demonstrou nenhuma grande alteração, porém isso era mais estranho do que a realidade me exibia.

No túnel para Brasília, fiz uma parada em Campo Grande para falar com meu "conselheiro" Amido. Aluguei um ciclo e fui até ele sem muita preocupação com horários. Encontro Washingtônio, ex-senador pelo Estado de Angola, um mestiço de temperamento acelerado e de poucas palavras.

—Oi, Washingtônio! Tem feito o quê? Continua nas linhas de tráfego?

—Oi, Fonte! Continuo ali, mas com menos arreio. Tenho encontrado mais tempo para o meu jardim ultimamente...

—Sei. Você tem visto a Mônica?

—Não depois do que aconteceu. Ouvi dizer que ela cresceu dentro da empresa.

—Na verdade foi demitida!

—O patrimônio dela conta outra história...

—Isso é algo revelador, pois todos puseram de parte a história depois da demissão. Foi quase um acordo pelo cansaço.

—Fonte, não me quero envolver mais nessas intrigas sem fim e sem propósitos da capital do mundo. Estou no meu jardim, entende?

—Claro. Mas acho que, se você sabe de alguma coisa, deve pronunciar-se por dever cívico para com o país que você criou e cria.

—Fonte, por favor, não. Nesse meu fim de vida desenrolar essa teia será esticar a linha da história para encurtar a minha.

—Farei o possível... Está bem. Mantê-lo-ei incógnito.

Não compreendia como e quando as pessoas escolhiam seu civismo. Mas Washingtônio era desse tipo que fervia e congelava a depender de circunstâncias, sobre as quais eu mal compreendia. Mônica havia se demitido ou sido demitida? Está sendo paga e por quê para manter um elevado nível de gastos? O orçamento da indústria de armas mantinha-se quase que incólume, a despeito da CPI das “Licitações de Papai Noel” e da guerrilha no Chaco de conservadores de esquerda.

Mônica se envolve num caso com um dos presidentes da empresa, como empregada, e com um dos responsáveis pelo Orçamento das Armas do Exército Policial. Hoje, a balbúrdia que ela semeou ontem deve ter gerado seus podres frutos, entalando o governo diante do alinhamento do falido Estado argentino com a burocracia do Brasil. Afinal, o caso de Mônica com duas personalidades influentes dentro de um clima particularmente delicado dos neo-brasileiros em relação ao novo éthos dominante faria incendiar o meridiano 45.

Para bem da verdade, ainda não entendia como o caso dela poderia influenciar numa abertura dos conflitos e no retrocesso dos Trabalhos de Alinhamento.

Mônica entra na sala...

—Já contei tudo à imprensa, Fonte.

—Exatamente o quê?

—A indústria de armas tem interesse no alinhamento pela via pacífica, pois já possuem projetos de urbanização e a relação custo-dos-insumos/mão-de-obra melhorou muito com o aumento do preço da liga metalínica e a baixa sustentável dos materiais de urbanização orgânicos.

—Como assim? Então as suspeitas de que o presidente daquela indústria de armas é também acionista da Alfp Construtora são verdadeiras?

—Sim. Eles jogavam com os interesses da população através de jornais de imprensa esquerdistas, financiando-os ou não, na medida das oscilações do preço dessas duas commodities: o fungo semeado e a liga metalínica.

—Mas isso... isso é um absurdo!

—Parece um absurdo, mas é a verdade. Criaram uma maneira muito engenhosa de arrancar lucros galácticos dos Trabalhos de Alinhamento...

—Mas, calma!, o que vai acontecer com todo o processo, agora? Estamos em fase praticamente de conclusão do fechamento da matéria. Quase todas as leis estão em pleno vigor. São 180 mil de 210 mil leis!!

—A prisão dos terroristas do Chaco vai servir de álibi para uma grande histeria da manada ignorante. Pode ser que precisemos de mais armas num momento em que o preço da liga metalínica está nas alturas e a demanda do governo será muito grande, o que provocará o início de um forte ciclo recessivo. Quanto às leis, o governo está encaminhando um conjunto de leis específicas para serem aplicadas com o princípio do juris loci especiali.

—E a Corte neste vai...

—Não há muito pelo que barafustar. O processo já começou e a PBI já começou a trabalhar em cima desse esquema das commodities. Tudo envolve muita gente, mas todos estavam sendo manipulados por este homem, presidente da Guns, Power and Peace e acionista da Alfp construtora.

O restante da conversa já não conseguia digerir. Era apenas mascar todos esses dados brutos e diluí-los até caírem no estômago vazio e apertado. Desde o momento em que os fungos semeados substituíram, em grande parte, os materiais de origem mineral, seu potencial de crescimento não acompanha os seus preços, fenômeno que tem dado margem à muita especulação e a interesses fortes pelo controle da produção absoluta no planeta terra. Isso já faz mais de 200 anos e um certo desinteresse se instalou no seio do governo, evitando a construção de uma legislação a respeito.

A construção com materiais minerais foi proibida através de uma Bill, mas faltam detalhes que ainda não foram trabalhados. Minha casa mesmo fora construída com 20% de material mineral e o restante em fungo semeado. Nosso quadrante processou a Alfp pela construção, mas o julgamento não nos brindou com os resultados previstos por tais causas. O uso de materiais minerais para a construção aumenta o preço das armas e dos equipamentos hospitalares...

É relevante agora alguns detalhes da história dessas duas indústrias: a de armas e a de construção. As duas com um acionista em comum em posição parda.

Mas ainda não conseguia entender o que faria Mônica com um aumento de patrimônio, tendo sido demitida da PwP.

É hora de encerrar o meu dia, pois já passam das 27 horas.

Capítulo 3: tirando o pano da mesa.

Capítulo 3
Tirando o pano da mesa, parte 3 de 4



Encontro Amido no final do corredor e conto-lhe o ocorrido com Washingtônio.

—Oi, Amido. Tive uma conversa nesses dias com Washingtônio.

—O de Campo Grande?

—Sim. Ele contou-me sobre uma considerável elevação da renda de Mônica. Dizem, inclusive, que a cota dela aumentou de 5bO n3 para 13bO n3.

—Nossa! O oxigênio lá de casa só atinge 9bO n3!! Realmente tem alguma coisa errada... Ao menos no meu estresse (risos). Com 13bO n3 eu iria ficar calminho, calminho...

—(risos) Amido, você me faz rir numa hora dessas... O confronto do Chaco, depois dessa revelação à imprensa, pode levar o conflito até meu quadrante no Acre.

—É. Certamente é que isso pode vir a acontecer. Mas, afinal, o que está acontecendo, então, se a Mônica fora demitida com certo constrangimento?

—É isso que tento indagá-lo de. Mônica tem algum sócio nessa história para ter tamanho prestígio de, até mesmo, aumentar a sua cota. Entende?

—Ontem à noite conversei com o balconista da Mesa de Operações da estatal DEA, a Distribuidora de Energia do Ar. As informações sobre a cota de qualquer pessoa no nosso planeta estão e são acessíveis a qualquer cidadão.

—Não sabia disso. Então quer dizer que...

—Sim. É verídico o que está acontecendo. O quadrante 3 tem uma cota máxima de 9bO n3 devido ao nosso ambiente mais limpo. A Mônica está violando uma lei contra os direitos humanos da Terra!!!

—Isso é realmente um absurdo. Você deve expor isso o mais rápido possível. Talvez consiga inclusive interromper a diplomacia do sangue que irrompeu desde ontem.

—Não, Amido! Tenho a intuição de que devo investigar ainda um pouco mais, antes de levar esse caso aos ouvidos do mundo. A Mônica comprometer-se nessa história até o fim é algo que me intriga, entende? Violar uma lei do nosso sistema solar e acusar, expondo as capilaridades da trama que se formava e o presidente da PwP é algo que exige muito controle sobre a situação.

—Bem. Veja o que é que você pode fazer. Não quero envolver-me nessa história. Tire-me disso, certo?

—Sim. Vou continuar minhas indagações. Conto-lhe o andamento. Talvez eu esteja enganado sobre o que tem havido. Não sei... Sou um homem de 123 anos e posso oferecer-me a permissão do erro.

Tinha de recordar-me dos detalhes da conversa de Mônica do dia seguinte. Existia uma lógica por trás dessas armadilhas financeiras e da política...

Capítulo 4: 0

Capítulo 4
A fazer...