CAPÍTULO 2
Confronto de vidas, parte 2 de 4
Nesse começo de dia, depois de uma noite bem dormida, o clima é de sol aqui no Acre. Tenho de pegar o transporte até às 10h para pegar a primeira sessão da Comissão Executiva do Orçamento de Ajuda aos Refugiados da Argentina. Creio que ela vá atrasar-se e começará em torno de 10.45, ou seja, chego, pelo menos, no fim dos trabalhos preparatórios. Segundo meu computador de bordo, o clima em Brasília é nublado com chuva às 15h e tempo aberto às 23h. Acredito que eu só vá retornar para além das 23h; então vou sem proteção mesmo.
Começo a pensar na Mônica e a duvidar realmente se não existe um envolvimento meio escuso dela com a indústria de armas. É certo que o balanço das empresas não demonstrou nenhuma grande alteração, porém isso era mais estranho do que a realidade me exibia.
No túnel para Brasília, fiz uma parada em Campo Grande para falar com meu "conselheiro" Amido. Aluguei um ciclo e fui até ele sem muita preocupação com horários. Encontro Washingtônio, ex-senador pelo Estado de Angola, um mestiço de temperamento acelerado e de poucas palavras.
—Oi, Washingtônio! Tem feito o quê? Continua nas linhas de tráfego?
—Oi, Fonte! Continuo ali, mas com menos arreio. Tenho encontrado mais tempo para o meu jardim ultimamente...
—Sei. Você tem visto a Mônica?
—Não depois do que aconteceu. Ouvi dizer que ela cresceu dentro da empresa.
—Na verdade foi demitida!
—O patrimônio dela conta outra história...
—Isso é algo revelador, pois todos puseram de parte a história depois da demissão. Foi quase um acordo pelo cansaço.
—Fonte, não me quero envolver mais nessas intrigas sem fim e sem propósitos da capital do mundo. Estou no meu jardim, entende?
—Claro. Mas acho que, se você sabe de alguma coisa, deve pronunciar-se por dever cívico para com o país que você criou e cria.
—Fonte, por favor, não. Nesse meu fim de vida desenrolar essa teia será esticar a linha da história para encurtar a minha.
—Farei o possível... Está bem. Mantê-lo-ei incógnito.
Não compreendia como e quando as pessoas escolhiam seu civismo. Mas Washingtônio era desse tipo que fervia e congelava a depender de circunstâncias, sobre as quais eu mal compreendia. Mônica havia se demitido ou sido demitida? Está sendo paga e por quê para manter um elevado nível de gastos? O orçamento da indústria de armas mantinha-se quase que incólume, a despeito da CPI das “Licitações de Papai Noel” e da guerrilha no Chaco de conservadores de esquerda.
Mônica se envolve num caso com um dos presidentes da empresa, como empregada, e com um dos responsáveis pelo Orçamento das Armas do Exército Policial. Hoje, a balbúrdia que ela semeou ontem deve ter gerado seus podres frutos, entalando o governo diante do alinhamento do falido Estado argentino com a burocracia do Brasil. Afinal, o caso de Mônica com duas personalidades influentes dentro de um clima particularmente delicado dos neo-brasileiros em relação ao novo éthos dominante faria incendiar o meridiano 45.
Para bem da verdade, ainda não entendia como o caso dela poderia influenciar numa abertura dos conflitos e no retrocesso dos Trabalhos de Alinhamento.
Mônica entra na sala...
—Já contei tudo à imprensa, Fonte.
—Exatamente o quê?
—A indústria de armas tem interesse no alinhamento pela via pacífica, pois já possuem projetos de urbanização e a relação custo-dos-insumos/mão-de-obra melhorou muito com o aumento do preço da liga metalínica e a baixa sustentável dos materiais de urbanização orgânicos.
—Como assim? Então as suspeitas de que o presidente daquela indústria de armas é também acionista da Alfp Construtora são verdadeiras?
—Sim. Eles jogavam com os interesses da população através de jornais de imprensa esquerdistas, financiando-os ou não, na medida das oscilações do preço dessas duas commodities: o fungo semeado e a liga metalínica.
—Mas isso... isso é um absurdo!
—Parece um absurdo, mas é a verdade. Criaram uma maneira muito engenhosa de arrancar lucros galácticos dos Trabalhos de Alinhamento...
—Mas, calma!, o que vai acontecer com todo o processo, agora? Estamos em fase praticamente de conclusão do fechamento da matéria. Quase todas as leis estão em pleno vigor. São 180 mil de 210 mil leis!!
—A prisão dos terroristas do Chaco vai servir de álibi para uma grande histeria da manada ignorante. Pode ser que precisemos de mais armas num momento em que o preço da liga metalínica está nas alturas e a demanda do governo será muito grande, o que provocará o início de um forte ciclo recessivo. Quanto às leis, o governo está encaminhando um conjunto de leis específicas para serem aplicadas com o princípio do juris loci especiali.
—E a Corte neste vai...
—Não há muito pelo que barafustar. O processo já começou e a PBI já começou a trabalhar em cima desse esquema das commodities. Tudo envolve muita gente, mas todos estavam sendo manipulados por este homem, presidente da Guns, Power and Peace e acionista da Alfp construtora.
O restante da conversa já não conseguia digerir. Era apenas mascar todos esses dados brutos e diluí-los até caírem no estômago vazio e apertado. Desde o momento em que os fungos semeados substituíram, em grande parte, os materiais de origem mineral, seu potencial de crescimento não acompanha os seus preços, fenômeno que tem dado margem à muita especulação e a interesses fortes pelo controle da produção absoluta no planeta terra. Isso já faz mais de 200 anos e um certo desinteresse se instalou no seio do governo, evitando a construção de uma legislação a respeito.
A construção com materiais minerais foi proibida através de uma Bill, mas faltam detalhes que ainda não foram trabalhados. Minha casa mesmo fora construída com 20% de material mineral e o restante em fungo semeado. Nosso quadrante processou a Alfp pela construção, mas o julgamento não nos brindou com os resultados previstos por tais causas. O uso de materiais minerais para a construção aumenta o preço das armas e dos equipamentos hospitalares...
É relevante agora alguns detalhes da história dessas duas indústrias: a de armas e a de construção. As duas com um acionista em comum em posição parda.
Mas ainda não conseguia entender o que faria Mônica com um aumento de patrimônio, tendo sido demitida da PwP.
É hora de encerrar o meu dia, pois já passam das 27 horas.
Confronto de vidas, parte 2 de 4
Nesse começo de dia, depois de uma noite bem dormida, o clima é de sol aqui no Acre. Tenho de pegar o transporte até às 10h para pegar a primeira sessão da Comissão Executiva do Orçamento de Ajuda aos Refugiados da Argentina. Creio que ela vá atrasar-se e começará em torno de 10.45, ou seja, chego, pelo menos, no fim dos trabalhos preparatórios. Segundo meu computador de bordo, o clima em Brasília é nublado com chuva às 15h e tempo aberto às 23h. Acredito que eu só vá retornar para além das 23h; então vou sem proteção mesmo.
Começo a pensar na Mônica e a duvidar realmente se não existe um envolvimento meio escuso dela com a indústria de armas. É certo que o balanço das empresas não demonstrou nenhuma grande alteração, porém isso era mais estranho do que a realidade me exibia.
No túnel para Brasília, fiz uma parada em Campo Grande para falar com meu "conselheiro" Amido. Aluguei um ciclo e fui até ele sem muita preocupação com horários. Encontro Washingtônio, ex-senador pelo Estado de Angola, um mestiço de temperamento acelerado e de poucas palavras.
—Oi, Washingtônio! Tem feito o quê? Continua nas linhas de tráfego?
—Oi, Fonte! Continuo ali, mas com menos arreio. Tenho encontrado mais tempo para o meu jardim ultimamente...
—Sei. Você tem visto a Mônica?
—Não depois do que aconteceu. Ouvi dizer que ela cresceu dentro da empresa.
—Na verdade foi demitida!
—O patrimônio dela conta outra história...
—Isso é algo revelador, pois todos puseram de parte a história depois da demissão. Foi quase um acordo pelo cansaço.
—Fonte, não me quero envolver mais nessas intrigas sem fim e sem propósitos da capital do mundo. Estou no meu jardim, entende?
—Claro. Mas acho que, se você sabe de alguma coisa, deve pronunciar-se por dever cívico para com o país que você criou e cria.
—Fonte, por favor, não. Nesse meu fim de vida desenrolar essa teia será esticar a linha da história para encurtar a minha.
—Farei o possível... Está bem. Mantê-lo-ei incógnito.
Não compreendia como e quando as pessoas escolhiam seu civismo. Mas Washingtônio era desse tipo que fervia e congelava a depender de circunstâncias, sobre as quais eu mal compreendia. Mônica havia se demitido ou sido demitida? Está sendo paga e por quê para manter um elevado nível de gastos? O orçamento da indústria de armas mantinha-se quase que incólume, a despeito da CPI das “Licitações de Papai Noel” e da guerrilha no Chaco de conservadores de esquerda.
Mônica se envolve num caso com um dos presidentes da empresa, como empregada, e com um dos responsáveis pelo Orçamento das Armas do Exército Policial. Hoje, a balbúrdia que ela semeou ontem deve ter gerado seus podres frutos, entalando o governo diante do alinhamento do falido Estado argentino com a burocracia do Brasil. Afinal, o caso de Mônica com duas personalidades influentes dentro de um clima particularmente delicado dos neo-brasileiros em relação ao novo éthos dominante faria incendiar o meridiano 45.
Para bem da verdade, ainda não entendia como o caso dela poderia influenciar numa abertura dos conflitos e no retrocesso dos Trabalhos de Alinhamento.
Mônica entra na sala...
—Já contei tudo à imprensa, Fonte.
—Exatamente o quê?
—A indústria de armas tem interesse no alinhamento pela via pacífica, pois já possuem projetos de urbanização e a relação custo-dos-insumos/mão-de-obra melhorou muito com o aumento do preço da liga metalínica e a baixa sustentável dos materiais de urbanização orgânicos.
—Como assim? Então as suspeitas de que o presidente daquela indústria de armas é também acionista da Alfp Construtora são verdadeiras?
—Sim. Eles jogavam com os interesses da população através de jornais de imprensa esquerdistas, financiando-os ou não, na medida das oscilações do preço dessas duas commodities: o fungo semeado e a liga metalínica.
—Mas isso... isso é um absurdo!
—Parece um absurdo, mas é a verdade. Criaram uma maneira muito engenhosa de arrancar lucros galácticos dos Trabalhos de Alinhamento...
—Mas, calma!, o que vai acontecer com todo o processo, agora? Estamos em fase praticamente de conclusão do fechamento da matéria. Quase todas as leis estão em pleno vigor. São 180 mil de 210 mil leis!!
—A prisão dos terroristas do Chaco vai servir de álibi para uma grande histeria da manada ignorante. Pode ser que precisemos de mais armas num momento em que o preço da liga metalínica está nas alturas e a demanda do governo será muito grande, o que provocará o início de um forte ciclo recessivo. Quanto às leis, o governo está encaminhando um conjunto de leis específicas para serem aplicadas com o princípio do juris loci especiali.
—E a Corte neste vai...
—Não há muito pelo que barafustar. O processo já começou e a PBI já começou a trabalhar em cima desse esquema das commodities. Tudo envolve muita gente, mas todos estavam sendo manipulados por este homem, presidente da Guns, Power and Peace e acionista da Alfp construtora.
O restante da conversa já não conseguia digerir. Era apenas mascar todos esses dados brutos e diluí-los até caírem no estômago vazio e apertado. Desde o momento em que os fungos semeados substituíram, em grande parte, os materiais de origem mineral, seu potencial de crescimento não acompanha os seus preços, fenômeno que tem dado margem à muita especulação e a interesses fortes pelo controle da produção absoluta no planeta terra. Isso já faz mais de 200 anos e um certo desinteresse se instalou no seio do governo, evitando a construção de uma legislação a respeito.
A construção com materiais minerais foi proibida através de uma Bill, mas faltam detalhes que ainda não foram trabalhados. Minha casa mesmo fora construída com 20% de material mineral e o restante em fungo semeado. Nosso quadrante processou a Alfp pela construção, mas o julgamento não nos brindou com os resultados previstos por tais causas. O uso de materiais minerais para a construção aumenta o preço das armas e dos equipamentos hospitalares...
É relevante agora alguns detalhes da história dessas duas indústrias: a de armas e a de construção. As duas com um acionista em comum em posição parda.
Mas ainda não conseguia entender o que faria Mônica com um aumento de patrimônio, tendo sido demitida da PwP.
É hora de encerrar o meu dia, pois já passam das 27 horas.
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